Eliminando a poeira secular
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O Livro de Eli - o filme
Nneste final de semana pude assistir ao filme “O livro de Eli”, foi uma satisfação, não só pelo filme, muito bom, mas também em função de como algumas coisas chegam a nós e suas coincidências.
Não me lembro de um filme que tenha honrado tanto a Palavra de Deus como este, nem mesmo os filmes pretensamente cristãos.
Não é um filme escatológico, é um filme sobre uma saga, que bem pode ser entendida como a saga da própria Palavra ao longo dos muitos anos, dos anos transcorridos desde que o belíssimo Livro de Jó foi escrito.
Não importa como foi esta construção, quem escreveu, quem reescreveu, quem supostamente alterou, o que importa é o que Ela é hoje em nossas mãos. O que faço dEla hoje. Todas as demais argumentações talvez sejam apenas para justificar sua ausência.
Como escatologia, este filme é melhor resolvido do que muitas interpretações cristãs. Alguns elementos escatológicos da Bíblia são preservados sem anular a linearidade da realidade. Nada de “efeitos especiais”, apenas a nossa loucura levada ao extremo. Neste aspecto o filme é real e ao mesmo tempo “bíblico”. Muito elegante a solução encontradas pelos autores para conciliar este dois pontos. Estes preferiram focar o cerne dos problemas relativos à perseverança na Palavra.
Além da metáfora sobre a saga da Palavra ao longo dos anos, o mais importante, é uma metáfora sobre nossos dias. Vi como um filme sobre a nossa situação.
Assim como um bando de araras maduras voando, que estando vivas podem estar extintas, pois não são mais reprodutoras, assim nós também virtualmente não existimos mais. Como alguns cientistas afirmam, já podemos ter cruzado um limiar.
O que melhor poderia representar nossos valores senão aquela desolação apresentada no filme. Um mundo que barganha sucata, que bebe “água suja” e onde os melhores de nós apenas o são por não serem necrófagos, que não se alimentam das vidas dos outros (Gl 6, 8 e AP 19,18)
Um lugar onde não há espaço para a Palavra de Deus, pois foi encarada como ameaçadora; fonte de atraso e ignorância. E quando há espaço, é para que alguns se assenhoreiem de outros. Quando crer não é mais um ato apenas de fé, mas estóico.
Uma vez ouvi, em um documentário, para nunca mais esquecer, que tão certo como a noite sucede o dia, assim o hedonismo sucede o materialismo.
É verdade que um mar de maldades foi executado mediante uso fraudulento da Palavra de Deus. Mas omitimos que o mundo inteiro anseia pelos frutos da civilização ocidental que foi forjada por meio de uma fé e de um pensamento que deriva da Palavra e, assim mesmo, não esquecer que não foi sobre toda a Palavra, mas de parte. Se a parte produziu uma sociedade desejável e minimamente produtiva, que dirá se toda a Palavra fosse considerada e bem utilizada?
Todo o pensamento europeu (e americano) foi elaborado por pessoas que conheciam a Palavra. Os povos, destes continentes, menos afeitos a Palavra, produziram infinitamente menos que os povos que a conheciam. Não é possível compreender a cultura européia sem conhecer a Bíblia.
Todo o pensamento quer se materializar. O que se materializa em uma sociedade é aquilo que ela pensou ao longo dos anos.
E a pergunta: o que tem dominado o pensamento de nossa sociedade global, sobretudo nos intensos e últimos 30 anos?
20 de agosto de 2010
Marcos Mingra
"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão"
Mt 13,31
O Livro de Eli