Abençoarei os que te abençoarem
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"E imolai a páscoa, e santificai-vos, e preparai-a para vossos irmãos, fazendo conforme a palavra do Senhor, dada pela mão de Moisés"
2 Cr 35, 6
"E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça;"
Lc 22, 15
Uma oferta de Pesach - O conflito Messiânico de Yeshua
Vai ficando claro que a morte de Yeshua foi de total responsabilidade de Roma, ainda que outros atores tenham se envolvido do ponto de vista ético. Do ponto de vista estritamente jurídico, foi mais um assassinato romano de um cidadão judeu.
Aos poucos a cortina que cobre a maldade da atribuição de culpa aos judeus vai se dissipando.
Apesar de não ser uma afirmação “acadêmica”, certa confusão é estimulada a ocorrer entre os leigos do assunto, a mais nefasta é que os judeus não aceitaram Jesus como rei, senhor ou mesmo como messias, e isto custo-lhe a vida. Se os judeus, ou principalmente a elite religiosa, o aceitassem Ele não teria morrido.
Isto é uma afirmação, ou que seja uma inferência, falsa.
Yeshua nunca pretendeu escapar da morte, Ele não se permitiria a isto. Ele não aceitaria outra morte que não a morte de outros judeus entregues aos romanos. Ele não foi indiferente aos problemas políticos de sua época. Ele não foi menos insensível que a liderança judaica que procurava “cooperar” com a Pax Romana. Ele, também, não foi menos engajado que os Zelotes.
Mashiach Yeshua foi realista, não em um realismo humano, mas em um realismo espiritual, à semelhança do profeta Jeremias.
Yeshua decidiu ser o Cordeiro da Oferta.
O conflito que existiu entre Ele e os Judeus, sobretudo, os Fariseus, em nada diferiu do conflito que existia com seus próprios seguidores.
Todos, absolutamente todos os que ouviram a pregação de Mashiach não entenderam a proposta messiânica de Yeshua.
Todos, sem exceção, queriam se livrar da horrível e perversa mão de Roma, a cidade cuja genealogia começa com uma cadela, que aperfeiçoou mecanismos de dominação e morte.
Alguém poderia culpá-los? Aos que podem culpá-los, desejo-lhes a mesma oportunidade de “refinar” a alma.
Tantos os P’rushim como Yeshua estabeleceram um conflito de preocupações mútuas. Quiseram dissuadir o outro em sua proposta e intenções.
Os P’rushim, de um lado, não queriam apenas se autopreservar, não que isto não fosse importante para eles, queriam, também preservar a Yeshua, pois sabiam que seus atos o levariam à sua morte.
Yeshua, por seu lado, queria tão somente, em sua ambição impar, que a Nação de Israel considerasse que além do messianismo davídico, havia o do servo sofredor de Yosef, cuja glória sonhada seria na verdade uma anti-glória, uma glória baseada em solidão, desprezo, sofrimento e salvação para seus irmãos e para o mundo.
Yeshua quis mostrar em seu tempo que a vontade de D´us não é a nossa. Que aceitar, à semelhança de Jeremias, o cativeiro pode poupar os olhos. Ou seja, que a saída as vezes é reconhecer que não há saída, como acabou se concretizando cerca de 40 anos depois. Que acabou acontecendo nos dois mil anos depois.
Yeshua não pretendia evitar a vitória de Roma, apenas queria provar que o Poder de D´us não se manifesta apenas no triunfo, mas na redenção da ética, do espírito de sacrifício e do amor incondicional.
Esta foi a oferta de Pesach. Alguns viriam a entender, muitos, não.
Roma na sua perversidade, vendo que sua ambição e sua “religião” não se sustentavam e percebendo o afastamento da doutrina de Mashiach acabou assimilando o cristianismo e pervertendo sua mensagem.
Notas:
Considerar Jo 6, 15, texto que contradiz as afirmações de não aceitação de Jesus como rei por parte dos Judeus.
Em MT 26, 65 é possível perceber preocupação com a situação e não ódio ou vontade de matar. Pelo contrário, o que se queria era preservar vidas judaicas, incluindo a de Yeshua. O termo “é réu de morte” significa a impossibilidade de evitar a situação. No versículo 76 aponta para um comportamento romano, não judaico.
Quando escrevo, "acabou acontecendo nos dois mil anos depois", digo apenas que, na prática, os judeus, agiram, ou melhor, seguiram Yeshua mais que os cristãos pós Constantino (Ver MT 21, 29-31). Contudo não estou afirmando, como colocado no texto “Proteção Política” que seguir Yeshua significa nenhum direito a autodefesa, pois Yeshua não é um pacifista inconsequente (ver Lc 22, 36). Há um tempo para todo propósito, para Israel nasce um tempo de resistência e vitória (Ec 3,3).
Marcos Mingra
Uma Oferta de Pesach