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Limite Aceitável

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A Chave de Eufrásio
Limite aceitável

Preâmbulo - o ajuste grosseiro.

Uma sociedade é a média dos comportamentos aceitáveis que ela estabelece para si. Você pode desejar viver em um mundo justo, mas o nível de justiça que você possui comporá a média possível para a sociedade na qual você vive.

Assim, estamos para esta sociedade segundo a diferença que existe entre cada elemento e esta média.

Nosso nível de corrupção, de crimes, de negligência com a vida, de abusos morais e físicos praticados e tolerados refletem a imagem exata daquilo que somos como corpo social.

De um lado estarão aqueles mais sensíveis, como um incomodo a lembrar aos restantes o que deve ser almejado, do outro, aqueles que são a resistência patológica do ser, os baluartes da carne, um canal de expressão e esperança do mal. Entre os dois extremos estamos todos nós, ou melhor, a maioria de nós, aqueles que farão o bem se não houver custo considerável à carne e até farão o mal se este for “inevitável”.

As leis e sua execução refletirão esta média, e ainda sujeitas aos agravos das autoridades, beneficiárias das prerrogativas de sua outorga e executoras dos “atributos divinos e espirituais”, irão se manifestar, ao menos, em duas formas, de um lado concentrando seres patológicos pela vocação natural de substituir Deus, do outro pelo adoçamento do caráter, pelo ambiente de poder (narcisístico).

Não é esperado que em ambiente pouco sacrificial surjam leis e execuções das quais seus agentes sejam seus próprios violadores. Basta ver a tolerância para algumas omissões criminosas, assim, como exemplo, mortes no trânsito devido à embriagues (nossos números são uma aberração mundial) devem refletir algo sobre nós. Nossa tolerância não é gratuita, exógena ou coisa sem explicação. É fácil imaginar o comportamento de legisladores, magistrados, políticos, advogados e, lá na ponta, do povão no que tange a este ponto.

Assim, morte torna-se uma fatalidade; para quem cair o mico, resta o silêncio, a amargura contida.

Poderia se falar das mortes por falta de atendimento médico, falta de saneamento. Poderíamos listar todas as cadeias de causas e efeitos que nos levam a atitudes criminosas e difusas.

E poderíamos ver a nós mesmo, se quiséssemos, mas ai esta a vantagem da diluição do mal, ninguém é acusável, exceto se estiver na ponta dos acontecimentos, se faltar os elementos ordinários de escape, presentes em nosso igualmente conveniente código processual, que alivia ou repara eventuais “falhas” em nossa “não-legislação”.

Podes-se argumentar que boas leis nascem destes mesmos elementos sociais, mas a outorga não é assim tão descompromissada, há de se negociar, afinal, além da pressão social produzida em sua “média de  justiça”, também há o fator do outorgante, conforme Sua Soberania.

O Ajuste fino

Se não há muito como escapar desta média social, como pode alguém elevar seu limite?

Há dois fatores que promovem este ato “voluntário”.

O primeiro deste decorre da necessidade de reparar-se frente a uma dificuldade, as relações de causa e efeito são intuitivas, não são, de todo, claras. Estão cercadas de ambivalência (inclusive bíblica: a questão das uvas verdes), de negações, de dificuldades de investigação e sabe-se lá quanta outras coisas, e portanto, não será tratado aqui.

Mas, como presente em frases como: “cheguei no fundo do poço”, “se não vem pelo amor, vem pela dor”. Temos um senso de justiça, por mais que tentemos espantá-lo como um bêbado espanta uma sombra. Após uma grande crise, algumas vezes uma conciliação é possível e se aceita este novo limite.

Também se pode aceitar um ambiente mais rígido por razões afetivas, profissionais, financeiras, mas isto não nos interessa aqui.

Outra razão é o desconforto quando os parâmetros de justiça estão muito distintos da média, um exemplo clássico é o dos puritanos que se estabeleceram na América (não significa que sua justiça fosse excelente, apenas que era muito superior a daqueles dos quais saíram, e o tempo provou isto).

A busca religiosa oferece algumas condições de superação deste limite, em geral, na teoria, ambientes religiosos apresentam níveis mais elevados que a sociedade laica onde estão inseridos. Estas religiões acabam se tornando como refúgios de humanidade.

Mas vamos ao que realmente interessa, esqueça todo o resto acima.

Então, por razões diversas, as pessoas decidem ter padrões mais elevados ou estar inserido em um grupo mais exigente. E isto acontece dentro da igreja, freqüentemente. Muitos deixam de ter atitudes perigosas do ponto de vista social (como beber e dirigir), alguns decidem parar de roubar, usar substâncias ilícitas ou nocivas, são coisas que melhoram até as contas governamentais, aumentasse a arrecadação (sim, a César o que é de César) e, do outro lado, diminuem-se custos sociais. Há um salto de qualidade e parece que será o céu na terra.

Não, esqueça isto também, isto não é importante, não é nossa questão.

Depois de ocorrer uma melhora, bem, o que acontece a maioria de nós?

Nada muito além de nada.

Por melhor que seja o nível de justiça, estar parado, estagnado, é anti-bíblico: não confere com Mashiach.

E qual a razão desta estagnação?

Porque um consenso social (ou eclesiástico) é obtido de uma forma muito elaborada, sutil, crônica, em um esforço monumental de ocultar certas particularidades do ser, este ser maravilhoso e complexo que somos nós, os humanos.

Mas o que há para ocultar e quais são os motivos desta ocultação?

Você sabe, você tem as suas, se você nega a soberania de Deus, se você evita a Palavra, você sabe, ainda que dificilmente admita, o que está escondendo.

Se você crê na soberania de Deus e tem temor de Sua Palavra, você pode considerar estar na mesma situação acima, a única diferença será o malabarismo para evitar encontrar-se com Seu Deus, estando mais ou menos exposto a Sua Palavra.

Textos bíblicos que jamais viram a luz do púlpito, pregações escorregadias, falta de contextos, omissões, etc, etc, etc e ainda, outras vezes, quando tudo acima falha, uma dose suportável de hipocrisia é suficiente para manter nossa alma inalcançável.

Quando lideranças novas emergem, ou quando algumas revelações vem a público, sobretudo de membros, ou, ainda, quando a falta de um mínimo de manifestação divina traz desesperança à maioria, bom ai as tensões ficam insuportáveis, e seriam prontamente corrigidas se houvesse espaço para o compartilhar pecados, sua declaração e a confissão de falibilidade, se tais coisas ocorressem, mas não ocorrem. Viva a benção da ignorância, do silencio “respeitoso”, bendito o Espírito Santo que não nos envergonha (mas também não pode agir).

Crentes e descrentes, dentro ou fora da igreja: há um limite que não se aceita de maneira alguma, deste risco no chão que nós traçamos e não permitimos que ninguém passe. Este lugar “só meu”, que é nossa humanidade mais nua e bondosa, que exige misericórdia, exige o sangue do cordeiro, sangue que nos purificaria, enfim, este lugar que é tão nosso e que acaba sendo a grande chave do inferno para nos humilhar e dominar...

Escolhemos o grupo social ou eclesiástico segundo nossa comodidade e concupiscência. E se não temos muito como escolher, então resta-nos sabotar, dificultar, distrair e tantas outras ações que tornam esta vida irracional, demorada, amarrada.

Parabéns a nós, que pensamos esconder tais coisas, até que a morte nos sepulte. Muitas vezes o que escondemos viverá mais que nós mesmo, este fogo fátuo que nos acovarda durantes dezenas de anos, que nos impede de sermos livres e de amar com generosidade e que poderia muitas vezes ser o bálsamo de nossa cura, inclusive física, mas nós não queremos.

Criamos todo um sistema de crença que nos justifica, negando em alto e bom som o milagre da Cruz, negamos, nós os baluartes da fé, Mashiach, negamos sua redenção, tudo porque não queremos a exposição, não queremos ser visto como demasiadamente humanos, preferimos ser este ídolo, esta invenção de nós mesmo. Este ídolo pesado, que pesa a cada ano, a cada dia que se acrescenta às nossa vidas.

Miserável homem que sou, ou que somos!

Se deixassem que nos vissem, nossa vergonha, como aquela de Mashiach, despido diante de uma multidão, então haveria redenção, acabaríamos com este pacto dos infernos que oprime os outros sem deixar de oprimir a nós mesmo em maior medida.

“Não há nada oculto que não venha a ser revelado”, mas isto é para os últimos dias, quando será impossível se esconder, quando a exposição pública de muitos criará outro pacto sinistro, o do silêncio, do recolhimento, por um lado e, do outro lado, da chantagem, da ameaça grupal, até que terminemos tudo em mais abismos, depois de vencida as possibilidades hedonísticas.

Até lá, teremos que ser de uma delicadeza estremada, teremos que andar sobre ovos, até que nenhum vínculo sério possa permanecer, pois não haverá confiança, não haverá compaixão, pois nesta condição o amor irá esfriar, pois amar é confiar e nos não somos mais capazes de confiar.

Muitos contatos e muita superficialidade, assim será o amor dos últimos dias.

A não confissão do pecado anula o senso de causa e efeito, assim, não temos como desmanchar o nó, ficamos todos presos. Sem este senso, não temos justiça, sem justiça, não temos paz.

E não só isso, queremos amor, mas cada amar tem seu quinhão de dor, amar é sofrer em algum nível ou em algum momento, faz parte do pacote, e sem amor, não há o gozo da liberdade.

Ou seja, a negação completa de Mashiach, e, para os que estão dentro da igreja, muitas vezes usando a própria Palavra para negá-Lo, acarretam mais dores e pecados a si e à igreja.

É como diz a Palavra, naquele dia saberemos o quão insignificante era o verme que nos oprimia.

MM

texto complementar: Liberdade e Educação


Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.

Ti 5, 16
Paraíso e Ansiedades